Cubatão, 2007. O interesse de Luciana Jorge, 44, pelos aquecedores solares surgiu quando estudava em um curso supletivo para jovens. Depois de um questionamento de um professor, ela descobriu que apenas 25% das pessoas de sua turma tinham água quente em casa.

Na ocasião, o professor questionou uma solução hipotética para o problema. Mas Luciana Jorge levou a questão à sério.

Circuito LABxS (Lab Santista) - Oficina de Aquecedor Solar de Baixo Custo

Ela começou a criar aquecedores solares para ajudar amigos depois de perceber que a solução era realmente viável, o que só foi possível a partir da descoberta da SóSol, uma associação que desenvolveu uma tecnologia social inovadora de produção de aquecedores solares de baixo custo. Luciana tornou-se uma militante da energia solar.

Nos anos seguintes, somente na Vila Siri, em Cubatão, ela conseguiu implementar 30 aquecedores.

Neste vídeo abaixo, feito por Ailton Martins, conheça a história completa da oficina realizada em parceria com o Coletivo Novo Paraíso, de Cubatão, uma das atividades contempladas pelo Circuito LABxS (Lab Santista).

Colaboração, baixo custo e bricolagem

Dez anos depois do primeiro contato com energia solar, a ativista se especializou em uma metodologia totalmente aberta e colaborativa. O que tornou o aquecedor realmente barato e fácil de fazer.

“A palavra de ordem é escutar sugestões das pessoas e isso mudou o projeto do início até hoje. E claro, ele segue aberto para novas colaborações”, conta.

O aquecedor solar é construído com materiais que podem ser encontrados em lojas de construção e a montagem é toda em bricolagem. Já a placa para aquecedor solar é feita com placas utilizadas para dividir escritórios que são pintadas de preto fosco.

Ativismo e qualidade de vida

Vale lembrar que Luciana Jorge acredita no ambientalismo, mas não acha que a culpa do aquecimento global seja das pessoas comuns. “Mesmo se todas as casas de Santos implementassem a energia solar, não substituiria a poluição de uma fábrica de Cubatão”, conta.

Seu objetivo é levar qualidade de vida e um pouco de conforto para quem não tem nada. “Precisamos nos fortalecer para quebrar quem realmente está nos prejudicando”, diz.