Há cerca de um ano iniciamos um trabalho de investigação para a constituição de uma nova instituição de cultura digital no Brasil. Nesse projeto matricial reconhecíamos a necessidade de estruturação de um novo ator que tivesse condições de reconectar os agentes que fizeram de nosso país uma força pujante na pauta da cultura, da colaboração e do software livre, mas que se encontravam dispersos em funções das transformações conjunturais. Principalmente da perda de força dos atores estatais que se engajaram no impulsionamento dessa agenda.

Por meio de uma série de atividades, de pesquisa, diálogo, visita técnica e experimentação, conseguimos avançar numa melhor compreensão do cenário contemporâneo, não só no Brasil, mas também na Ibero-América, África e Ásia. Percebemos que as questões que nos afligiam no início daquele projeto também se fazem presentes em outros contextos, e que a questão da reestruturação das organizações para lidar com o mundo atual é um tema premente.

A partir do acúmulo adquirido com a realização do projeto Tecnologias e Alternativas, cujo produto final previsto era justamente a criação de uma nova instituição/organização, estamos criando o Instituto Procomum – IP. Conceitualmente decidimos isolar, dentro da cultura digital, a dimensão que de fato é seu “arsenal” de transformação e emancipação social: o procomum.

O que isso quer dizer? A cultura contemporânea é digital e um instrumento também de reprodução de valores e visões baseadas na concentração e no controle. Mas possui suas rotas de fuga. O procomum é uma delas, principalmente, em nossa visão, no que se refere à possibilidade de construção de uma nova sociedade civil.

Em junho de 2016, realizamos em Santos o LAB.IRINTO – Encontro Internacional de Cultura Livre e Inovação Cidadã, como consequência das atividades do Projeto Tecnologias e Alternativas.

O LAB.IRINTO foi um processo de debates, trocas de experiências e articulação internacional entre criadores da Baixada Santista, de outras regiões do Brasil e do mundo, com dois meses de duração. Nesse processo, conseguimos (1) subsidiar a concepção do LABxS (Lab Santista), um laboratório de cultura livre e inovação cidadã que é um de nossos projetos em andamento; (2) fortalecer uma rede nacional de cultura livre e inovação cidadã, que deste então se comunica em um grupo no telegram onde temos mantido contato permanente com esses agentes e (3) avançar na articulação internacional em torno da agenda de bens comuns.

Podemos dizer, portanto, que antes mesmo de sua estruturação formal, trabalhamos para que o Instituto Procomum começasse a se posicionar como uma plataforma a serviço de uma rede, em nível local, nacional e internacional.

Esse processo, cujo avanço não teria ocorrido sem o apoio essencial da Fundação Ford, agora entra numa nova etapa. A consolidação institucional dessa organização que nasce para ocupar um espaço vago na sociedade civil brasileira: o da promoção dos bens comuns.

Diálogo é uma das palavras que iremos perseguir e entendemos que ela será ainda mais essencial nos próximos anos, principalmente quando levamos em consideração as transformações macropolíticas a que estamos submetidos.