Um conceito que abre possibilidades

(1) É formado pelos bens comuns em si (o planeta, o patrimônio sócio-ambiental, o corpo, o urbano e o digital) somados à gestão desses bens por comunidades que se autogovernam criando procedimentos e regras que garantam o usufruto entre todas e todos – e impeçam a apropriação do bem por um ou alguns, o chamado cercamento.

(2) É um modelo de governança operado por uma rede entre comuneiras e comuneiros, suas comunidades e o planeta (pessoas, iniciativas e infraestruturas)

(3) É um processo político que nos convoca a agir para além das formas estratificadas do mercado e do Estado moderno.

(4) É também uma alternativa econômica que produz no interior das comunidades (locais ou globais) relações de reciprocidade (dádiva), generosidade e solidariedade, as quais privilegiam o valor de uso ao de troca.

(5) É a vida em coletivo – sendo esse coletivo formado pelos humanos, suas criações (os não-humanos) e os demais seres viventes que co-habitam a Terra (ela própria um ser vivo). Portanto, um sistema sócio-ecológico

(6) É uma transformação cultural de grandes proporções, como resultado de um processo escorado em afetos, sentidos e na espiritualidade. Um tutorial prático para uma vida de alegria e imaginação.

Este vídeo do Coletivo Gemeingüenter Germany explica de forma simples:

Leia a tradução que fizemos do que é dito no vídeo:

“Nossa existência depende dos recursos que não só incluem a biodiversidade, como os espaços sociais em nossas vilas, bairros e cidades, a educação, as ciências e todo o mundo digital. De fato, temos recursos suficientes para satisfazer todo mundo. Mas o mundo não é assim. Há um processo de cercamento da natureza. Os espaços sociais estão cada vez mais privatizados. O acesso à educação se converteu em um mero produto. E a liberdade do mundo digital está minguando para favorecer monopólios privados. Há quem chame isso de: “direitos de uso”. É algo muito simples: reduzir o fornecimento de um bem ou serviço provoca escassez. Quem fomenta a escassez pode ganhar muito dinheiro. “É assim que as coisas são!”, dizem os que se beneficiam desse arranjo. Em princípio, tudo parece bastante razoável. Porque o raciocínio é o seguinte: o acesso irrestrito aos recurso pode levar a uma exploração desmedida. Imagine…no pasto de uma vila, todos os pastores deixam as ovelhas comerem à vontade. Mas? Quem vai se conformar com apenas uma ovelha? Se se pode obter muito mais dinheiro tendo dez? Se todos os pastores atuassem dessa maneira, o pasto se esgotaria em muito pouco tempo. Os aldeãos perderiam seu meio de subsistência. Não é um cenário insensato, verdade? Ainda assim, as pessoas podem se comportar de outras maneiras: falando, criando regras, se fazem responsáveis do comum. E garantem sua conservação. Sabem que dependem uns dos outros. O benefício de um é o benefício de todos. Essa é a essência do comum. São comunidades que criam suas próprias regras para cuidar de seus bens comuns. Todos garantem que o comum seguirá crescendo…e para todos. Seja na natureza, na sociedade, na educação, na cultura ou na internet. É uma ideia que se pratica ao redor do mundo, dia a dia. E se nos esquecemos dessa ideia, os temas mais importantes como a educação, a saúde, as mudanças climáticas, a segurança alimentar global não terão uma solução viável”.