Durante a minha estadia em Madri, pude conhecer inúmeras pessoas. Entre elas, Antonio Lafuente, um professor e pesquisador de Granada, na Espanha, que coordenada o Laboratório do Procomum do MediaLab-Prado. Já havia ouvido muita gente falar de Lafuente, mas foi apenas quando o conheci que percebi a razão de sua força: é um homem que ouve. Isso me parece uma qualidade essencial em um intelectual que estuda as transformações do seu tempo.

Pretendo, mais adiante, publicar uma entrevista específica com Lafuente. Enquanto isso, sugiro que assistam (para aqueles que compreendem espanhol) a esta entrevista, de alguns anos atrás, em que ele fala sobre a experiência do Laboratório do Procomum e também lança algumas questões extremamente úteis para quem é adepto da cultura livre. Gosto muito da frase que usei no título deste post: “não queremos só bons projetos, mas projetos que façam o bem”.

Há um outro detalhe muito importante ressaltado por Lafuente nesse vídeo. É o fato de que o MediaLab-Prado sempre buscou ser um espaço verdadeiramente público, portanto jamais posto a serviço de nenhuma ideologia específica. Ou seja, sem se deixar dominar pelo proselitismo de nenhuma cor. A busca pelo efetivo foco no cidadão na construção de laboratórios efetivamente cidadãos passa, a meu ver, por essa militância pelo público.