Ontem (18) realizamos no Laboratório de Inovação Cidadã, no Rio de Janeiro, um debate sobre como os projetos de inovação cidadã podem inovar também na dimensão organizacional e como nos faltam formas institucionais adequadas aos novos modos de criação. Participei do debate como provocador e compartilho aqui a minha apresentação. Os debatedores foram a Graciela Selaimen, da Fundação Ford, a Daniela Silva, da Open Society Foundation e o Zonda Bez, da coordenadoria de cultura digital do Ministério da Cultura.

Também tivemos intervenções excelentes de muitos dos participantes do LABIC, como Caio Lucena, da VR4BI, empresa de produção de conteúdo de realidade virtual; Daniel Caminha, do Laboratório de Inovação Cidadã Translab de Porto Alegre; e Mister, do Coletivo Basurama, da Espanha, que é uma das referências em intervenções criativas nas cidades. A Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Ivana Bentes, também participou da atividade defendendo maior abertura do Estado.


INSTITUIÇÕES, EXTITUIÇÕES E O FUTURO DO FAZER – Created with Haiku Deck, presentation software that inspires

Um dos pontos principais da minha provocação foi trazer a ideia, ainda em construção, de extituições, com a qual tomei contato agora na residência do MediaLab-Prado, em Madri, nas conversas com Mauro-Gil Fournier, do Viveros de Iniciativas Ciudadanas, e Antonio Lafuente, do Laboratório do Procomum. Nessa ideia, as extituições são uma forma de iniciativa que vai além das instituições tradicionais, que está fora de todo arranjo padronizada, e se constituem como negação dos modelos tradicionais de organização do mundo. São expressões de uma vontade de refazer o mundo de uma forma mais igualitária e livre.

A partir dessa proposição, lancei duas perguntas:

– Como podemos ser efetivamente transparentes na gestão dos recursos financeiros e humanos?

– É possível realizar inovação cidadã sem inovar na dimensão organizacional e institucional?

Essas duas questões serão melhor exploradas em um encontro que realizaremos no próximo ano, reunindo outros agentes para elaborarmos sobre as extituições e a relação com os modelos institucionais vigentes. Ou seja, pensar o “o que” e “o como” articulados, levando adiante a ideia de que não precisamos só de bons projetos mas de projetos que façam o bem.

Vale destacar a ideia de Daniela Silva de que as organizações que estão surgindo para realizar a inovação cidadã precisam ser capazes de contar suas histórias, com documentação aberta de seus processos e tendo a transparência como vocação.

Outro ponto a destacar partiu de Graciela Selaimen, que afirmou a necessidade de uma transinstitucionalidade, em que essas novas possíveis extituições (ela não usou esse conceito) e as instituições existentes possam conformar um novo campo de intervenção, realmente voltado para produzir as transformações sociais, culturais e políticas que almejamos.

Dois aspectos pareceram ser totalmente convergentes entre todos os debatedores. A ênfase em fortalecer os “bens comuns” (os commons) como estratégia política e o reconhecimento que redes (e até mesmo as instituições) são feitas de pessoas, não de números ou planilhas.