O gestor espanhol Raúl Oliván Cortés apresenta a experiência de criação de um ecossistema inovador para a promoção de cidadania e cultura em Zaragoza.

O diretor de um dos projetos mais bem sucedidos de reinvenção de uma cidade a partir da valorização de seu potencial criativo estará em Santos na próxima segunda, dia 30 de novembro, para oferecer uma palestra na Estação Cidadania, a partir das 18h30. Raúl Oliván Cortés, diretor do programa Zaragoza Activa, compartilhará a experiência de transformação de Zaragoza, uma cidade espanhola de 700 mil habitantes, localizada entre Madri e Barcelona, numa referência mundial em soluções inovadoras para os desafios urbanos, sociais, culturais e econômicos.

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O evento é promovido pelo Projeto Tecnologias e Alternativas (www.tecnologiasalternativas.org.br), que promove articulações e debates com o objetivo de criar uma nova instituição voltada à inovação cidadã a partir de Santos. O projeto é financiado pela Fundação Ford e conta com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria Estadual de Cultura. O título da palestra de Oliván na Estação Cidadania é: “O desafio da cultura e da cidadania nas cidades médias: o caso de Zaragoza e a consolidação de um ecossistema inovador”.

 

“Penso que a experiência de Zaragoza traz elementos muito inspiradores para o que 22339773876_e5f86cc36c_zpodemos fazer em Santos”, comenta Rodrigo Savazoni, coordenador do Tecnologias e Alternativas. Para ele, as duas cidades possuem características semelhantes. “Assim como Santos está próxima a São Paulo, Zaragoza fica no entrocamento entre Barcelona e Madri. Ambas são cidades de porte médio, que tiveram um histórico no passado de inovação, que veem seus talentos criativos migrarem para os grandes centros urbanos e que estão em busca de políticas inovadoras”.

Savazoni e Lia Rangel, coordenadora de comunicação do projeto, estiveram em Zaragoza conhecendo a experiência e destacam o fato de que ao articular gestores públicos e a iniciativa privada, o Zaragoza Activa conseguiu em 5 anos construir um ecossistema inovador que vem reposicionando internacionalmente a cidade como geradora de inteligência, inovação e tecnologias.

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Uma das metodologias que vem sendo desenvolvida em Zaragoza para promover um espaço de colaboração e troca de ideias e projetos, o espaço público de trabalho coletivo La Colaboradora, recebeu o “Ouishare Awards”, premiação promovida pelo Ouishare Fest, a mais importante plataforma de economia colaborativa do mundo, que reúne projetos como o Airbnb e o Uber.

SERVIÇO:

Palestra:
“O desafio da cultura e da cidadania nas cidades médias: o caso de Zaragoza e a consolidação de um ecossistema inovador”.

Quem:
Raul Oliván Cortés (ESP – Zaragoza)

Quando:
Segunda-feira (30/11), às 18h30

Onde:
Estação Cidadania de Santos – Av. Dona Ana Costa, 340 – Vila Matias, Santos

Porque:
O projeto Tecnologias Alternativas, coordenado por Rodrigo Savazoni, vem investigando a possibilidade de desenvolver em Santos uma instituição de novo tipo, capaz de articular as experiências que buscam soluções para os desafios contemporâneos.
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QUEM É RAUL OLIVÁN E UM POUCO SOBRE O ZARAGOZA ACTIVA

raulCom larga experiência em gestão de instituições culturais públicas, formado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas, Oliván é o principal idealizador do Zaragoza Activa. O programa nasceu em 2010 com o objetivo de “transformar uma velha usina abandonada de açúcar em uma fábrica de ideias, projetos e sonhos compartilhados”. Com este desafio nasceu a “La Azucarera”, como é conhecida por seus frequentadores. A instituição é resultado de um processo de articulação promovido pela prefeitura na busca por soluções para enfrentar a crise econômica que se aprofundou nos últimos anos na Espanha. Com 50% dos jovens desempregados, um dos maiores desafios locais vem sendo oferecer oportunidades para que seus talentos permaneçam na cidade gerando riquezas, inteligência, movimentação cultural e contribuindo para a reocupação urbana.

Para dar forma a esta ideia, 8 milhões de euros (cerca de R$ 32 milhões) foram investidos para reformar uma fábrica de açúcar de beterraba, inaugurada há mais de 200 anos, mas que desde 1966 estava inativa. Os gestores locais sonhavam em transformar as imponentes chaminés que por décadas representaram a decadência de várias gerações, em símbolo de prosperidade e inovação. E assim o fizeram. O resultado é uma instituição completa, que parte da premissa da inclusão social, apostando nos preceitos da “economia criativa” para oferecer um cardápio extenso de serviços.

O antigo edifício foi transformado numa moderna instalação formada por salas multiuso, uma incrível biblioteca para jovens, uma encubadora de empreendedores, uma espaço de co-working, uma agência de empregos e tantas outras iniciativas que lá funcionam.

Atualmente cerca de 300 mil pessoas circulam ou participam de eventos promovidos pelo Zaragoza Activa. Todos os meses, mais de 30 atividades ocorrem no local. O custo médio anual de manutenção do programa é de cerca de 800 mil euros, sendo que a maior parte dos recursos são repasses direto da prefeitura.