Este é um convite. Um convite para que organizemos juntos uma interferência na cidade em que vivemos. Um convite para que possamos conversar, a partir de diferenças, e tentar, justamente a partir delas, delinear um espaço de trocas e invenção.

O que queremos com isso? Realizar um evento artístico/cultural/político que coloque em questão o que temos em comum. Um evento que mobilize a Baixada Santista, em específico a região da Bacia do Mercado. Um evento que não é apenas um evento, mas também um processo vivo de colaboração; uma articulação política que nos permita localizar as questões mais interessantes deste tempo enevoado.

Há alguns meses, nós, Alexandre, Lígia, Rodrigo e Stéfanis, a partir de nossos lugares de trabalho, o Laboratório de Sensibilidades da Unifesp, o SESC, o Laboratório Santista (LABxS)/Instituto Procomum e a Rádio Silva da Unifesp, começamos um diálogo com o objetivo de pensar uma ação conjunta que pudesse pôr em perspectiva incidências do comum.

O que primeiramente nos aproximou foi a vontade de trabalhar nossa relação com a Bacia do Mercado, os bairros da Vila Mathias, Vila Nova e Paquetá, onde algumas de nossas organizações estão instaladas. Esses bairros simultaneamente centrais e periféricos, vivos e degradados, de cortiços e universidades, de oficinas e comércio popular, de violência e acolhimento.

À medida que fomos nos encontrando e avançando em nosso entendimento mútuo do problema, chegamos a uma consigna cujo título é “O comum, a cidade e o corpo do Outro”. Mas, principalmente, chegamos à conclusão de que precisaríamos ouvir outras vozes, abrir espaço para outras perspectivas.

Surgiu, então, a ideia de realizarmos um processo de escuta/diálogo. Para isso estamos convidando 20 pessoas, próximas a nós (cada um teve direito a cinco convites), para se somarem a esse esforço curatorial. Se você está recebendo esta mensagem, é uma dessas 20 pessoas. O que queremos é ouvir e sistematizar as ideias e, ao fim da jornada de escuta, constituir uma programação/ação artístico-político-cultural para ser realizada no mês de novembro, em diferentes pontos da cidade.

Como ponto de partida, nos fizemos três perguntas, que estendemos a vocês:

– Que palavras/ideias podem dar conta de outras formas de fazer mundos?

– Quais práticas se fazem necessárias para desertar o fascismo e evitar o ocaso da própria vida?

– Como liberar a criação tecnológica na direção do comum, de onde ela foi sequestrada?

Queremos o comum do Outro. O comum das diásporas. O comum dos que tiveram suas terras invadidas pelos conquistadores ultramarinos. O comum da sensibilidade, do(s) cuidado(s), da colaboração e da partilha. A partir de nós, entre nós.

Queremos as ideias, práticas e tecnologias que nos permitam preservar e criar uma vida em comum.

Vamos juntxs?

A primeira reunião está prevista para ocorrer no dia 25 de abril às 19h, na sede do Instituto Procomum, rua Sete de Setembro, 52. Santos-SP.