A Lente do Comum: para enxergar a abundância e força do nosso agir comunitário e em rede

Vivemos dias difíceis. Ataques aos direitos, normalização da violência, desrespeito às diferenças e avanço do ódio.

Precisamos discutir perspectivas de existência e resistência. Para nós, que fazemos parte do Instituto Procomum, nunca foi tão importante debater e defender o comum: os nossos bens geridos por meio de comunidades que se autogovernam; os bens naturais, como o ar, os mares, rios e florestas; o conhecimento aberto; a internet livre; entre outras ações e recursos comuns; a democracia.

Nesse momento, o comum não apresenta-se como solução simples para problemas complexos, mas sim como uma lente que nos ajuda a enxergar a potência e abundância dos nossos recursos, comunidades e acordos. Nossa existência diversa e comum. Nossa potência.

Convidamos todas e todos para as conversas e debates “A Lente do Comum”, seminário que ocorrerá nos dias 25 e 26 de outubro, no Centro de Pesquisa e Formação – Sesc, em São Paulo.

Vamos conversar sobre as diferentes perspectivas do comum, a partir de questões culturais, ambientais, de gênero e raça; nosso agir comunitário em rede; as soluções cidadãs para melhorar a vida, solucionar problemas e defender a diversidade nas grandes cidades; a afirmação dos saberes ancestrais e tradicionais; novas perspectivas para além do mercado e do estado.

A atividade é organizada pelo Instituto Procomum e pelo Centro de Pesquisa e Formação – Sesc e as inscrições já estão abertas no link: http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/a-lente-do-comum.

Veja a programação completa:

Três perspectivas do comum
A mesa de abertura contrapõe e aproxima o discurso de três ativistas-pesquisadores – ou seriam pesquisadores-ativistas? -, que estão trabalhando com o tema do comum em seus trabalhos atuais, estabelecendo diálogos com questões culturais, ambientais, de gênero e raciais.
Debatedores: Rodrigo Savazoni, Bianca Santana e Alana Moraes.

O agir comunitário e em rede
O comum pede a interdependência. Entre as pessoas, as pessoas e os recursos, os seres humanos e o planeta, a cultura e a natureza. Exige, por isso, uma entrega de todos os envolvidos. Não há comum sem uma sólida e vibrante rede de afetos. Não há comum sem uma teia de cuidados. Diferentes comunidades em movimento criam e preservam comuns. Escutemos suas histórias.
Debatedores: Rud Rafael, Juliana Gonçalves e Henrique Parra.
Mediação: Verena Glass.

A cidade comuneira
Festivais culturais no espaço público, piqueniques políticos, hortas urbanas, bibliotecas e parques abertos 24 horas, rios e praias limpos por seus frequentadores, bosques recuperados, zonas autônomas e permanentes de invenção, centros sociais autogovernados, canteiros de experimentação, encontros de ciclistas, de caminhantes, de artesãos, de reparadores, de construtores, de criadores, tecnologias digitais livres, uma discussão sobre a cidade do comum, múltipla, diversa e plural.
Debatedores: Mariana Belmont, Thiago Carrapatoso e Ricardo Brazileiro.
Mediação: Georgia Nicolau.

A vida em comum
“Aí a gente fica sabendo que a Terra vai esquentar, que a Terra vai explodir, que as pessoas vão morrer, e que a Terra está muito quente por causa das mudanças climáticas. Tudo isso todo mundo sabe. Os próprios brancos ficam falando, mas são os próprios brancos que desmatam. Os brancos acham que só nós vamos ser impactados com o que eles estão causando. Não são só os indígenas; não sou só eu que vou morrer. Somos todos nós que vamos morrer”. Nesta mesa, o plano é discutir a própria existência da espécie humana, a partir dessa provocação de Magaró Ikpeng, mulher indígena, do Território do Xingu.
Debatedores: Coletivo Etinerâncias (Gabriel Kieling, Raísa Capasso e Débora del Guerra), Jean Tible e Inaldo Kum ’ Tum Gamela.
Mediação: Cinthia Mendonça.

Para além do estado e do mercado
Refletir sobre arranjos possíveis que vão além das visões estadocêntrica e mercadocêntrica. A partir de Laval e Dardot, que afirmam o comum como vetor oposto do neoliberalismo, pensar quais formas de ação conectadas ao conceito de comum podemos vislumbrar como reais alternativas para a política contemporânea.
Debatedores: Tica Moreno, Rosana Pinheiro-Machado e Marcio Black.
Mediação: João Brant