OS 50 ANOS DE “A TRAGÉDIA DO COMUM”

Por Rodrigo Savazoni

Em 13 de dezembro de 2018, quando no Brasil os militares decretavam o ato institucional número cinco (AI-5) que inaugurou um longo período de terror de Estado em nosso país, a revista Science, uma das mais importantes do planeta, publicava o artigo “The Tragedy of the Commons”, escrito pelo biólogo Garrett Hardin.

Conforme o artigo de Rodrigo Savazoni e Sergio Amadeu da Silveira, “na tese de Hardin o ser humano é autointeressado, com foco exclusivo em competir para maximizar seus ganhos. A imagem de seu artigo que se tornou clássica é a do rebanho de ovelhas. Nele, cada pastor da comunidade buscaria encher o pasto com o máximo de ovelhas possível, pensando apenas em si e em seu rendimento. Com isso, ocupado de forma desmedida, o pasto seria destruído e todos sairiam perdendo. ‘Cada homem está preso em um sistema que o compele a aumentar seu rebanho sem limites – num mundo que é limitado. Ruína é o destino para o qual todos os homens caminham, cada um perseguindo seu próprio interesse em uma sociedade que acredita em bens comuns livres. Comuns livres trazem ruína para todos (HARDIN, 1968, tradução nossa)'”.

A solução, então, qual seria, segundo ele? Privatização ou forte regulação estatal para impedir a destruição. Esse texto tem sido muito influente e é uma das peças essenciais para entendermos o pensamento neoliberal e o conservacionismo ambiental (que exclui a dimensão social da natureza).

Uma das razões de existirmos como organização é justamente confrontar as teses de Hardin e evidenciar que o comum é uma alternativa viável e, mais que isso, necessária para que tenhamos uma vida mais digna para todas e todas. Não fadado à tragédia, o como é a forma de juntas, em comunidades e redes, dialogando a partir de nossas diferenças assumirmos a responsabilidade pela preservação da nossa existência como espécie.